
A neurociência contemporânea está em transição com questões em relação a mente-corpo, desde os antigos gregos e dos tempos das tradições religiosas, onde hoje é aplicado e voltado para intervenções terapêuticas. Na época da antiga Grécia, Crotona se destacou quando as doenças do corpo humano foram examinadas de forma experimental. Um dos médicos-filósofos mais interessados em fisiologia humana na tradição médica de Crotona, Alcmeão, declarou que a alma era imortal e foi possivelmente o pioneiro no conceito da relação entre o cérebro e a mente, identificando o cérebro como o centro da compreensão, percepções, sensações e pensamentos.
Há controvérsias atuais em relação ao tema mente-cérebro, no qual o conceito neurofisiológico base da segunda metade do século XVIII foi a doutrina da equipotencialidade de todas as estruturas cerebrais, incluindo o córtex de Haller. Pouco antes de 1800, em uma tentativa de conciliar a filosofia e a ciência, o anatomista Samuel Thomas Soemmerring sugeriu que os fluidos ventriculares seriam o órgão imediato da alma. Já, Franz Joseph Gall (1758-1820), rogava que a personalidade e os traços de caráter complexos (combatividade, esperança, entre outros) são controlados por áreas do cérebro que se expandem à medida que esses traços se desenvolvem.

Hoje, cuidadosamente, neurocientistas abrangem tecnologias de neuroimagem funcional onde favorecem investigações sobre os correlatos neurais de experiências complexas uma vez que a dinâmica cerebral pode ser observada in vivo durante situações controladas. Os métodos mais utilizados nos últimos 15 anos são: a tomografia por emissão de fóton único (SPECT), tomografia por emissão de pósitrons (PET) e ressonância magnética funcional (fMRI). O método SPECT permite que os indivíduos desempenhem suas tarefas complexas, as quais exigem silêncio e concentração, em um ambiente adequado e livre de muitos efeitos que possam distrair ou causar ansiedade. A fMRI, no entanto, é um método neurofuncional não invasivo e apresenta superior resolução espacial e temporal. Porém, os ruídos devem ser controlados nos ensaios das tarefas anteriores ao estudo para que a expressão mediúnica não seja prejudicada.
As experiências religiosas são complexas e multidimensionais na medida em que envolvem alterações na percepção (imagens mentais visuais); cognição (representações do self), e emoção (paz, alegria e amor incondicional). Os estudos neurofuncionais tendem a sugerir maior atividade do córtex frontal e pré-frontal durante experiências religiosas. Outra semelhança está relacionado ao aumento da atividade ao pensamento reflexivo durantes as experiências. Os estudos apontam para a atividade de áreas como os lobos frontal e parietal, associados com elementos psicológicos e cognitivos específicos das experiências religiosas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Revista de Psiquiatria Clínica, Série mente-cérebro, Peres JFP, Newberg A / Rev Psiq Clín. 2013;40(6):225-32, ” Neuroimagem e mediunidade: uma promissora linha de pesquisa”. Disponível em: http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/P_autores/PERES_Julio_et_NEWBERG_Andrew_tit_Neuroimagem_e_mediunidade_uma_promissora_linha_de_pesquisa.htm .
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